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Videojogos

Sonic, o Senhor dos Anéis

(imagem por RenaeDeLiz)

Se há personagem fictícia que ajudou a conquistar jogadores a nível mundial, e a implementar os videojogos numa sociedade que ainda olhava para esta forma de entretenimento com algum esgar, foi Sonic! Um ouriço azul que corria à velocidade da luz.

Personagem estranha de se controlar, mas provavelmente um canalizador que matava tartarugas ao saltar-lhes em cima e tinha de salvar a burra da princesa que se deixava raptar todas as vezes e mais algumas, também era algo estranho! Ainda assim, resultou, e resultou tão bem que ainda hoje é um dos ouriços mais adorados pela comunidade de jogadores, talvez o único, e continua a fazer parte do universo dos videojogos.

Claro que nem sempre marcou presença da melhor forma, e as recentes criações com esta personagem que o digam, mas como se costuma dizer “a esperança é a última a morrer” e mais um jogo de Sonic vai chegar brevemente às três grandes consolas do mercado, a Nintendo Wii, PlayStation 3 e Xbox 360, e pelo que já se sabe, voltaremos às grandes origens deste clássico!

É por essa mesma razão, a de continuar a marcar presença nos videojogos, e por ter sido uma das crianças que cresceu ao lado deste ouriço, e não só, que decidi regressar no tempo e pegar na primeira trilogia desta peculiar herói da Mega Drive.

A nostalgia não demorou a apoderar-se. Bastou ouvir o famoso “Seeegaaaa” para perceber que aquele chamamento foi um dos principais factores que me levou a gostar tanto de videojogos! Segundos depois, Sonic desafiava-me a salvar novamente o Mundo das garras do Dr. Robotnik (ninguém me convence a chama-lo de Dr Homem-Ovo!) que transformou todos os animais em temíveis robôs. Não há como ignorar o desafio!

Sonic the Hedgehog dá as boas-vindas ao jogador com uma vegetação tropical e um mar refrescante. As cores quentes fazem o jogador sentir-se confortável, de volta a casa, e mal pressionamos o botão para o Sonic andar, é como se nunca o tivéssemos largado.

Ele corre, ele salta, ele liberta os pobres animais da maldição que os aprisionou nos corpos gélidos e mortais daquelas máquinas. Pelo caminho, apanha o maior número de anéis que conseguir para aumentar a sua pontuação. Não se pode salvar o Mundo com uma pontuação baixa, todos sabemos disso! É o mesmo que ir correr a maratona de barriga vazia…

Não esquecer de apanhar uns quantos power-ups que protegem este famoso ouriço ou que lhe dão velocidade extra para chegar mais rapidamente ao seu destino, o maléfico Dr. Robotnik, e vamos conseguir sair vitoriosos.

Não fiquem a pensar que é tudo um paraíso para o jogador, bem pelo contrário! Como só temos direito a três vidas no início do jogo, é fundamental que apanhemos o maior número de anéis para obter mais oportunidades de continuar a jogar sem que voltemos ao primeiro nível do jogo, já para não falar que se não tivermos moedas, morremos ao primeiro ataque que sejamos alvo. Se as tivermos, ainda temos uma oportunidade de escapar.

Imaginem só o terror que era estar na fase final do jogo, sem mais nenhuma vida e sem poder cair nas armadilhas que nos foram preparadas naquele nível. Era de ficar com os nervos à flor da pele! Isso sim, era uma experiência intensa…

Mas não demorou muito tempo até que um novo jogo fosse lançado, não pelas mãos da Sonic Team, mas por uma outra equipa americana. Sonic the Hedgehog 2 continuou assim a deliciar os jogadores que pediam por mais após terminarem, ou morrerem a tentar, o primeiro jogo.

Nesta nova aventura Sonic não estava sozinho. A acompanha-lo, e a ajudar, estava Tales, uma raposa de duas caudas que voava. As peripécias pelas quais passamos não variam muito daquilo que a Sonic Team nos habituou no primeiro jogo, e não havia mal algum, porque era isso mesmo que os jogadores procuravam. Tirando o nível especial onde tentamos capturar o maior número de anéis possível, tudo o resto, era idêntico.

Sonic corria até se gastar a sola dos seus ténis vermelhos só para voltar a salvar os animais que voltaram a sofrer com os planos de Robotnik. Visualmente, Sonic the Hedgehog 2 tem um inicio marcante, que leva de volta os jogadores ao primeiro jogo. Todo o aspecto tropical está lá e é uma óptima entrada para o banquete que estará para vir. Um pequeno digestivo era ainda servido, digestivo esse que se tornou num dos grandes atractivos deste jogo: a possibilidade de jogar com um amigo todos os níveis presentes nesta sequela. Um era o Sonic, outro o Tales, e antes mesmo do jogo começar, tinha início uma batalha que decidia quem iria ser o famoso ouriço.

Num jogo ligeiramente maior, igualmente tormentoso nos riscos que temos de correr para chegar ao tão desejado final mas duplamente divertido, estávamos perante a confirmação de uma saga de sucesso!

Chega assim o momento em que, talvez, muitos de nós discordamos! Talvez, seja eu o único a discordar da opinião geral. Talvez, mas só talvez, exista uma vaga hipótese de alguém achar que Sonic the Hedgehog 3 foi o pior da saga!

Enquanto há quem pense que o fim de Sonic chegou na década passada, eu acredito que o fim de Sonic chegou na década de 90. Passar de dois jogos óptimos para um jogo atamancado, que deixou de ser simples e divertido para ser complexo e entediante, não foi uma boa jogada. Para mim, bastou dar os primeiros passos com Sonic para perceber que não estava perante o jogo que em segundos me cativou em instâncias anteriores!

Era lento, faltava-lhe fluidez, faltava-lhe tudo o que os outros títulos anteriores tinham de bom! Confesso que tentei gostar do jogo das últimas vezes que o joguei, mas não foi possível. Ethan Hunt teria material para mais três missões se tentasse gostar deste jogo.

Felizmente, o último jogo da saga não será o terceiro, mas sim o quarto! Sonic larga assim as suas aventuras mais estranhas e desprestigiantes e regressa ao formato que lhe trouxe sucesso e fãs. Para a frente, e para trás, para cima e para baixo, tudo a grande velocidade e com o brilho da nova geração! Quebra-se assim uma trilogia para trazer glória a um ouriço que tanto merece! Será lançado em episódios e o primeiro sairá ainda este ano.

Será que ficaremos satisfeitos? Espero bem que sim, caso contrário terei de rogar umas quantas pragas à Sega por ter tentado, mais uma vez, dar um lugar ao Sol ao ouriço mais famoso dos videojogos e ter voltado a falhar!

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