Esperar muito de um filme de terror com adolescentes é ser ingénuo ao ponto de pensarmos que vampiros brilharem é algo muito inteligente! Para quem esteja a pensar que este meu comentário foi positivo, e de certeza que há muitos que pensam isso, desenganem-se, não foi!
Ainda assim, como assistir a jovens serem chacinados pode ser divertido, dar uma oportunidade a mais uns quantos filmes do género nunca é colocado fora da equação quando aquilo que se procura é um filme para passar o tempo.
Mas o que pensar de um filme que tem uma premissa em tudo idêntica a um qualquer filme que tenha único e singular propósito de matar mais uns quantos jovens inocentes que só pensam em sexo mas que é escrito pela Diablo Cody?
Se neste momento ficaram a pensar “mas que faz esta senhora a escrever um filme destes?“, então parabéns, viram Juno e sabem do que falo! Caso estejam a pensar “que nome mais ranhoso para uma stripper!” bem, até não fogem muito da verdade, já que ela começou a sua vida profissional a despir-se por dinheiro e mal entra no mercado cinematográfico a escrever o argumento para Juno, ganha um Oscar!
Seja como for, já mostrou que bons argumentos é com ela, graças a United States of Tara, uma série protagonizada por Toni Collette e que cada situação é melhor que a anterior. Ainda assim, continuávamos no mesmo género. Nada contra! Mas com a introdução da escrita desta argumentista num filme de terror fantástico, era sem sobram de dúvidas uma vertente muito diferente daquela a que nos habituou.
Qual o resultado? Jennifer’s Body, interpretado por Megan Fox, no “corpo de Jennifer”, e por Amanda Seyfried, a melhor amiga da pequena diabinha! O que se passa no filme é que Jennifer é uma jovem que, por obra do destino, destino esse demasiado guiado por mãos humanas, a levam a tornar-se num demónio que precisa de carne humana para sobreviver.
À primeira vista, tudo parece bem óbvio, e é, e banal, mas com o desenrolar da acção, percebemos que estamos perante uma obra bem diferente daquilo a que a máquina de Hollywood já nos habituou (mal).
Para começar, e como seria de esperar, os diálogos são muito bons e as situações não se apoiam na violência gráfica, além de ela existir. As personagens também estão muito bem desenvolvidas, havendo momentos em que não percebemos se estamos a apoiar a “vilã” da história ou a “heroína” que salva o dia. A realização, a cargo de Karyn Kusama, também consegue ter os seus momentos, e é boa o suficiente para estar em pé de igualdade com o argumento. E a cereja no topo do bolo é a belíssima banda sonora que acompanha todo o filme.
Antes de terminar, e de aplaudir o corpo da Jennifer, e muito há a aplaudir, tenho de espicaçar o leitor para o final fenomenal a que vai ter direito se decidir ver o filme! Tanto as duas personagens principais como o espectador vão poder sentir em breves instantes pena, ódio, tristeza, arrependimento e alívio. É uma das melhores cenas de todo o filme e das mais intensas que ultimamente se viram no cinema!
Se procuram algo bem diferente do habitual, que ainda assim mantém as boas características do género, e que é bem divertido, Jennifer’s Body é a escolha mais acertada.




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